Ossos do oficio.
Fevereiro 17, 2009
O melhor da minha profissão é, sem dúvida, estar cercada de bichos o tempo todo. É poder olhar nos olhos de cada um deles e ter a certeza de que Deus não poderia ter feito coisa melhor quando os criou.
Mas nem tudo é perfeito. A minha especialização é em Oftalmologia Veterinária. O tratamento oftalmológico não é um tratamento rápido, exige paciência, persistência, muitos cuidados e retornos para avaliação. Em função dos retornos periódicos o contato com o paciente é bimestral, mensal e dependendo do caso, semanal. É impossível não criar um vínculo, um afeto, um amor.
Na verdade não é só na minha especialidade, eu acredito que qualquer área onde se tem um contato quase que diário com o paciente, querendo ou não, cria-se um vínculo, não tem jeito.
E de repente a gente recebe a notícia que um animalzinho desses que estávamos tratando se foi para o andar de cima, como separar o profissional do pessoal nessa hora? Como não se abalar, chatear, chorar? É muito complicado administrar essa situação. Na faculdade não tinha uma matéria: Como não se envolver emocionalmente com seus pacientes.
Nesse um ano de convivio diário com os bichos “perdi” 8 bichos….e claro, nenhum por causa de problema ocular. É mais difícil do que ver o animal cego, pois se não tiver mais o que fazer, eles vivem bem sem enxergar.
Tenho me esforçado a pensar que essas coisas infelizmente acontecem e que eu não posso me envolver e abalar com cada notícia ruim que aparecer. Estou no começo da profissão, tem muita coisa pela frente, é preciso deixar essa carga negativa de lado. Mas como isso é difícil!
Ossos do ofício….
Entry Filed under: Momento Veterinário. .
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1.
Trotta | Fevereiro 17, 2009 at 4:56 pm
Ah, eu te conheço e sei que vc não vai conseguir deixar pra lá. Tanto é que já tá até contando! Daqui a dez anos, ainda vai ter o número na ponta da língua.
Mas é por isso que eu não sirvo pra medicina.
2.
Ma | Fevereiro 17, 2009 at 5:52 pm
É dureza mesmo, Fefa!!
A gente se envolve, fica triste…
Mas sabe, com os anos eu fui aprendendo a lidar melhor com isso: hoje não fico triste a metade do que ficava durante a faculdade (e olha que tenho menos de três anos de formada).
Você consegue… o tempo é nosso grande aliado nessas horas!
(Agora, que eu não serviria pra cuidar de cães, não serviria. Eles são uns fofos!!!)
3.
Rodrigo (bodas) | Fevereiro 17, 2009 at 11:49 pm
Eu acho natural e sadio!
Quando vc deixar de sentir vc vira máquina…
4.
claudia lyra | Fevereiro 24, 2009 at 2:03 pm
Talvez seja por isso que tantos profissionais ligados à saúde se tornam frios e distantes. Deve ser auto-proteção…
5.
ana p. | Fevereiro 26, 2009 at 4:31 pm
Eu achava que na faculdade se aprendia algo parecido com isso… bom… na minha a gente aprende que não deve tomar partido.
Sendo que lá mesmo a gente já aprende que sempre se toma partido. Então, esse é o tipo de coisa que na verdade, a gente não aprende lá. Aprende na vida.
Não se desapegue. Não se torne uma profissional fria. Apenas comece a compreender isso que vc já sabe lá no fundo: é a vida. Os animais, assim como as pessoas, vêm e vão. O importante é você ter dentro de você essa certeza, de que eles NUNCA serão indiferentes a você.
6.
neutron | Fevereiro 28, 2009 at 4:11 am
Você tem um coração animal tão bom. Tomara que essas situações sejam raras pra você, já que não podem ser evitadas “/
7.
Jana | Maio 5, 2009 at 11:01 pm
Oi, Fê!
Infelizmente é difícil, mas preciso… Vejo assim na minha profissão por exemplo, seria ruim não se envolver com a vida do aluno, acho que quanto mais, melhor tanto pra eles quanto pra mim. Aprendo muito assim, claro que são na maioria das vezes, problemas sociais… Não é caso da sua profissão, mas mesmo assim se tira um ótimo aprendizado.
Olha, desculpa comentar pela primeira vez e só agora e neste post de fevereiro rs, é que adorei ele. Beijos